sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Insônia

Era meia noite. Senti a insônia chegar fielmente como todas as outras noites. Sentei na cabeceira da cama e senti como se meus olhos estivessem fechados. Estava tudo escuro demais naquela noite. O telefone que não tocava, exigia de mim tamanho desconforto e incomodo. Tentei levantar, mas minhas pernas impediam que eu executasse tão função. Estava paralisada. Nada reagia. As cores se perderam em meus olhos. A angustia incontrolável estava exposta em meu rosto. Mas ninguém via. Ninguém entendia. Pois tudo estava escuro. E eu estava só. Aos poucos minhas pernas entravam em estado de recomposição. Começava a voltar a mim os sentidos das pernas. Então, retornei a tentativa de levantar. Aos poucos fui me levantando da cama e seguindo em direção ao nada. O escuro retirava a visão da minha casa, mas eu, como sabedora dos moveis e paredes, tateava o chão para não pisar em objetos desconhecidos que poderiam estar espalhados depois de um dia de orgia mental. Segui o caminho. Fui a cozinha, tomei um copo d'agua e retornei. O retorno era tudo diferente. Não sabia o que estava fazendo. Caminhei devagar. Quando, no meio da estrada o telefone toca. Não tateei, não saboreei o retorno, apenas corri.

(Márcia Mascarenhas)

3 comentários:

Priscilla C. disse...

Suspense...
nossa que texto, parece até filme!

Mil bjos eobrigada pela visita no meu blog.

Anônimo disse...

Aiii q lindo, oh mah...vc é realmente demais. Parabéns pelo texto. Lê-lo foi como se estivesse vivenciando um pouco disso tudo com você. Te adoro principa. Beijos.

Humanos Hedonistas disse...

De uma sensibilidade inebriante...