domingo, 7 de novembro de 2010

Memórias de uma menina perdida

                                                 "Ela é mais que um sorriso tímido de canto de boca, dos que você sabe que ela soube o que você quis dizer. 
                                     Ela fala com o coração e sabe que o amor, não é qualquer um que consegue ter. Ela é a sensibilidade de alguém que não entende o que veio fazer nessa vida, mas vive..." (C.F.A.)


Ela é um poço até a tampa, de pura sensibilidade. Foi o que ouvi de um moço, que conheci a instantes. Perdi-me nessa frase como quem se perde num bosque infindo. Bem, resolvi então, relembrar e trazer a tona todas as memórias de minha perdição poética. Uma moça bem requintada eu era, comia nos melhores restaurantes, freqüentava a alta classe social, provava dos melhores vinhos, tocava piano como ninguém, era apreciada pela oralidade, pela boa educação dada pelos meus pais. Até que encontrei o amor. O amor tem dessas coisas. Conheci o amor, e conheci a poesia. Me marginalizei com tudo isso, vivia aos pés da poesia, implorando a ela um pouco de sua atenção. A poesia me revestiu de total entrega, que não conseguia fazer mais nada. Me perdi, totalmente na sensibilidade poética, que tudo em mim surtia tal encanto e leveza, que era notável. Revelei as mascaras de minha real face e me abandonei de tudo aquilo que , antes era requinte, agora só a poesia pra mim, tinha esse significado. Estou entregue, submissa a ela. Pelo amor que conheci. Ora, porque não conheci o amor antes. Certeza, teria uma vida muito antes, mais feliz. As coisas se revelam no momento exato. Penso que se se tivesse revelado a mim antes, não surtiria o mesmo efeito. Sou feliz pois sou submissa a poesia. Sou eu. que busco nessa poética a minha cara metade. O amor que fez em mim, a morte de uma vida inútil. Abraça-me poesia. Abraça-me. Abraça. Abra. A.

(Márcia Mascarenhas)

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