quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Ela sentou


 Ela se sentou. Estava cansada. Precisava muito sentar. Sentiu as pernas adormecerem. Esperou.
Ele bateu na porta. E ela pediu que ele entrasse. A porta estava encostada. A luz do abajur ao fundo, lembrava os velhos tempos de criança, quando ela costumava se juntar com os primos para fazer imagens de sombra na parede.
Ele sentou na cadeira ao lado. Pediu que ela não dissesse mais nada. A beijou levemente. E silenciou.
Se perceberam sós. Sentiram estremecer o corpo. Era a primeira vez que eles sentiam isso, com tanta intensidade. Era estranho para ela. Era como se fosse ouvir durante um dia inteiro, Bossa Nova. Lembrava de todas as musicas, lembrava de sua adolescência, se arrepiava. Para ele era como se estivesse em pleno Carnaval. Samba, sim, isso tudo é samba! Muito samba em meu peito. Acelerado o coração dos dois, não conseguiam pronunciar sequer uma palavra. Era intenso demais aquele momento, para ser quebrado com qualquer coisa. Eles se olharam. Sorriram. E sentiram pela primeira vez, o que o amor pode fazer na vida de alguém. Se amaram sem medida, e morreram entregues a primeira e ultima noite de amor.




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