quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Semana Mitologica

De hoje, quarta-feira (22 de outubro) até quarta feira da semana que vem, estarei expondo deuses muito importantes (para mim, haha) da mitologia grega.


Espero que vocês embarquem nessa aventura maravilhosa




Hoje postarei aqui um deus muito importante <> filho de Zeus com Sêmele, iremos viajar na Historia de Dioniso!




Boa Viajem a todos!!




Nascimento de Dioniso


A princesa Sêmele, filha de Cadmo e Harmonia, estava deitada em seu leito. Estava só, mas ao seu lado ainda havia a marca profunda de um corpo — o corpo de um deus. De fato, Zeus, o mais poderoso dos deuses, estivera até há pouco gozando dos prazeres que lhe proporcionara sua mortal amante.
— Béroe! — disse Sêmele, espreguiçando-se. Um raio cálido de sol que entrava pela janela de cortinas balouçantes acariciou seu ventre.Alguns instantes de silêncio.— Béroe, surda! — gritou Sêmele, apoiada aos cotovelos. Uma velha criada entrou apressada.— Desculpe, minha ama... — Béroe, esta noite foi verdadeiramente divina... — disse a jovem, sorrindo. “Então é tudo verdade!”, pensou Hera, pois era a esposa divina de Zeus quern estava ali, metarnorfoseada na velha criada de Sêmele.— Vamos, ajude-me a me vestir — disse a jovern, erguendo-se.
— Desculpe, ama, me intrometer em tais assuntos — disse Hera disfarçada —, mas está certa, verdadeiramente, de que este homem que priva de seu leito todas as noites seja mesmo Zeus, o deus suprerno? — Que diz, Béroe? — exclamou Sêmele, enrubescendo. — Um homem, ele? Sua tonta, nenhum mortal poderia amar urna mulher como este divino ser! Homem algum teria o seu toque misterioso, nem beijo algum teria a volúpia que ele, Zeus, põe em seus divinos lábios...Sim, Hera sabia perfeitamente de tudo isso. “Mas as carícias que ele lhe dá nunca serâo mais do que o mero produto de um instante, estando sempre conspurcadas pelo susto e pelo medo de urn terrivel castigo”, pensava Hera, tentando vingar-se mentalmente da adversária. Entretanto, desconfiava em seu íntimo, mesmo sem dar-se conta claramente disto, de que justamente all poderia estar uma parcela do encanto e das delicias que ela, esposa legítima, jamais poderia desfrutar.
— Mas existem tantos homens, bem, digamos.. — disse a falsa Béroe, fingindo escolher o termo certo —... tão hábeis, minha ama, que as vezes nós muiheres, frágeis e tolas que somos, deixamos nos enganar com humilhante facilidade...— Não diga tolices, Béroe — disse Sêmeie, entregando as vestes a velha e lhe dando as costas nuas — Vamos, vista-me. — Eu mesma, minha ama — prosseguiu Béroe, sem dar atenção às reprimendas —, quantas vezes fui ludibriada por homens que me pareceram deuses. — Você?! — exclamou Sêmeie, com um riso escarninho. — Você, Béroe, amada por um deus? Rá!
Sêmele, contorcendo-se de riso, impedia que a ama Ihe cobrisse o corpo, e embora Hera soubesse que o deboche não fora feito a ela, ainda assim sentiu-se tomada pelo rancor — tal o poder que uma afronta, mesmo feita por engano, pode ter sobre a vaidade feminina. Enquanto escutava o riso, sem poder concluir sua tarefa, Hera percebeu nas costas da jovem as marcas inequívocas que o amor deixara em sua — sim, ela tinha de admitir — nudez perfeita. Hera tinha diante de si o mapa exato do país da traição: cada mancha arroxeada que Hera encontrava sobre aquela alva pele simbolizava uma província do prazer que Zeus, auxiliado pelos desvelos da amante, havia descoberto e marcado em seguida com a mesma ganância do explorador que descobre um lugar paradisíaco e instala com fúria o seu marco a fim de deixar bem clara a sua posse exclusiva.
Sêmele fez menção de virar-se, rnas a falsa Béroe não lhe permitiu; temia ver em que outros lugares infames poderiam estar depositadas aquelas rnanchas.— Vamos, minha ama, deixe-me vestila — disse a criada, introduzindo a veste pela cabeça, como quem ensaca algo que deseja ver logo ocultado.— Calma, Béroe, não se zangue... — disse a jovem, ainda tomada pelo acesso de hilaridade. — Peça-lhe uma prova... — disse Béroe, com voz insinuante. — o quê?— Peça a ele uma prova, cabal e definitiva, de que ele é mesrno quem afirma ser.— Mas que prova melhor poderia Zeus me dar, além das que já tenho? — disse Sêmele, ja vestida, abraçando-se com braços fingidarnente alheios. — Você sabe que os deuses usam uma forma humana apenas para se relacionar com os mortais — disse Hera disfarçada. — Peça, então, que ele se rnostre para você em todo o seu divino esplendor.
Sêmele ficou aiguns instantes pensativa, enquanto Béroe penteava, fio a fio, os seus longos cabelos.— Está bem, lhe pedirei a tal prova! — disse a bela fliha de Cadmo. — Apenas não esqueça de uma coisa — disse a velha, com um sorriso pérfido no escondido rosto —, deve fazer antes com que ele jure pelo Estige que não lhe negará qualquer pedido.— Por que pelo Estige? — quis saber a jovem. — Porque este é um jurarnento fatal, ao qual os próprios deuses estão submetidos — disse Hera, ern tom solene. — Todo aque!e que jura pe!o rio infernal deve cumprir rigorosarnente com a sua palavra, e nem mesmo Zeus tem poder para transgredi-la.
Dito isto, a falsa Béroe afastou-se, e Sêmele ficou entregue aos seus próprios pensamentos. Quando a noite chegou, Zeus reapareceu, como de costurne. — Zeus, meu amado! —disse a jovem, lançando-se a seus braços — Desde que vocé começou a vir até mim, nos braços da noite, que eu nunca mais soube dizer, com certeza, quando é dia ou quando é noite. — Por que estas palavras? — perguntou o deus supremo. — Porque me parece que a noite quando chega, trazendo-te consigo, me traz um dia ainda rnais claro e brilhante do que aquele que está partindo, apenas isto.
Os dois amantes abraçaram-se, e após um longo beijo, Sêmele, tornando-se séria, tomou o rosto de Zeus em suas mãos.— Meu querido, preciso que vocé me dê uma prova de seu amor. — Prova de amor? — exclamou Zeus, surpreso. — Para qué? — Não importa; apenas prometa. Prometa pelo Estige que me dará tal prova. Só assirn poderei ter sossêgo em minha alma e confiar plenamente em você. Zeus relutou durante um longo tempo. Jurar pelo Estige — o mais irrevogável dos juramentos —, e tudo apenas por urn capricho feminino!
— Está bem, eu prometo — disse Zeus, afinal. — Vamos, pelo Estige... — disse Sêmele. — Diga, por favor... Zeus acedeu, contrariado, e fez o juramento. Sêmele, aliviada, foi até o fundo do quarto e parou, com urn ar misterioso estampado no rosto. — Quero agora uma prova definitiva de que você é mesmo Zeus que tanto amo — disse ela, com o ar subitamente decidido. — Do que está falando, criatura? — Mostre-se agora, diante de mim, tal como é! Zeus ficou paralisado. Não, aquilo não podia ser verdade. Eia devia estar brincando, ou então louca. Claro, só uma louca lhe pediria uma coisa destas. E ele sabia perfeitamente que não poderia fazer isto sem destruí-la.
Zeus chegou a abrir a boca para Ihe explicar o motivo, mas subitamente deu-se conta de que o destino da pobre moça já estava selado, pois ele havia feito o juramento fatal. Nada poderia fazer com que ele voltasse atrás — mesmo que ela mudasse de opinião ou tentasse anular sua vontade anterior. “Finalmente verei o que mortal algum antes viu”, pensou a jovem, extasiada. Zeus, pesaroso, afastou-se um pouco, embora soubesse que era urn ato inútil. Depois, concentrou-se e fez com que suas formas humanas fossem lentamente se apagando. Ao mesmo tempo uma luz, a princípio muito tênue, foi brotando do seu corpo, em dourados feixes, como se um segundo sol estivesse a nascer dentro dele. Sêmele deu-se conta, subitamente, do que estava para acontecer, quando viu a vaporosa cortina atrás do deus desaparecer como num sopro, e uma nuvenzinha de fagulhas ser expulsa pela janela, impelida pelo vento.— Não, Zeus... Não! — gritou a pobre jovem, mas já era tarde dernais. Uma bola de chamas irrompeu de dentro da forma humana do pai dos deuses e se expandiu por todo o quarto; relâmpagos espalhavam-se em todas as direções e um fragor intenso de chamas devorando tudo abatia-se sobre a jovem infeliz.
— Oh, maldita Béroe! — gritava Sêmele, ajoelhada, com a cabeça oculta e os ouvidos tapados. — Béroe e a minha maldita desconfiança foram a minha perdição! Caiu no chão o corpo chamuscado e já sem vida de Sêmele. Dentro dela,porém, sem que ela tivesse sequer sabido, ainda pulsava outra vida. Zeus, dando-se conta disso, retirou do ventre da amante morta o produto divino dos seus amores: um bebê, muito jovem ainda, mas que respirava. Sim, ele respirava! Zeus, antes que o palácio inteiro ardesse, retomou sua forma humana e, fazendo um talho na própria perna, introduziu o pequeno e delicado ser dentro de sua própria coxa. “Não poderia encontrar um refúgio mais seguro”, pensou Zeus, que já era capaz de se alegrar outra vez, com a descoberta daquele agradável consolo. — Afinal, para alguém que já gestou um ser em sua própria cabeça, gestar outro em sua coxa não será coisa tão penosa... — disse o deus supremo, indo embora.
E foi assirn que dali há algum tempo veio ao mundo Dioníso, o único deus cujos país não eram ambos divinos, sendo fliho de uma divindade com uma bela mas infeliz mortal.



Durante seus prirneiros anos Dioniso participou, junto com Sileno — sernpre bêbado e a cair de cima de seu inseparável burrico —, de toda espécie de brincadeiras. Mas se o velho Sileno sabia ser brincalhão — e mesmo irresponsável, rnuitas vezes —, tarnbérn sabia demonstrar que era dono de profundos conhecirnentos, que sua aparência exótica e pouco respeitável podia fazer adivinhar. — Deixe que falem —hic! — o que quiserern! — dizia Sileno, erguendo-se do chão, arnparado pelo jovem pupilo. — Sileno sabe mais — hic! — que todos os sabichöes da Terra...
Um dia o jovem Dioniso, vestido corn seu manto púrpura, resolveu ir ate a terra e adormeceu. Neste Interim havia se aproximado da costa um grande navio — na verdade, um navio pirata — que andava a caça de nova presa. Um grupo de marinheiros desceu a terra para buscar água, e quando estes pisararn nas areias claras deram de cara com o belo rapaz adormecido. Sua tez delicada, seus labios rubros e o todo mais de sua aparência denunciavam que seria fliho, ao menos, de um senbor poderoso do lugar. Quem sabe, até, do próprio rei. — Varnos leva-lo conosco — disse o mais rude daqueles homens. — Poderemos pedir por ele urn belo resgate.
Entretanto, o timoneiro, Acetes, tinha bom olho para as coisas divinas e percebeu logo que o garoto tinha algo de estranho. — Deixemos o rapaz em seu lugar e vamos embora de uma vez — disse ele —, pois não pressagio nada de bom desta aventura. — Virou Cassandra, agora? — disse Licabas, o mais feroz e impiedoso dos piratas, com uma gargaihada assoprada que fez espirrar no rosto do pobre timoneiro uma chuva de seus perdigotos podres.
Acetes, conhecedor do estratagema do vilão, deixou para limpar depois o produto infecto da boca do asqueroso Licabas, pois sabia perfeitarnente —já vira, na verdade, por duas vezes acontecer o mesmo — que Iimpar o rosto diante dele era decretar a própria morte. o garoto foi, então, embarcado, mas não a força, porque não opôs nenhuma resistência contra seus raptores. Estranhamente calmo, Dioniso fazia observar docilmente aqueles homens sujos e cruéis. “Verdadeirarnente é um deus!”, pensava o bom Acetes, observando o rapaz. — Dirija direito este troço! — disse uma voz ao seu lado. Era urn dos piratas, que fora destacado pelo próprio LIcabas para vigiar o timoneiro.
Enquanto isto, Licabas, que fora se tornando cada vez mais de antipatia pelo jovem deus, ordenou de repente a um de seus marujos: — Amarrern esta mocinha! — disse, acentuando bem a últirna palavra. E antes que dessem cumprimento a sua nefanda ordern, aproximou bem a horrivel carranca do rosto delicado de Dioniso. — Frisou hoje cedo os lindos caracóis, menina loira? — disse o sórdido Licabas, arreganhando a horrivel dentadura, na qual se podiam perceber três dentes acava!ados a disputarem o mesmo espaço. Depois, tomando sua faca, enrolou urn dos cachos loiros sobre o fio, como se fosse frisá-lo, mas os fios partiram-se. — Ora, menina, que pena! — disse. — Eu só ia fazer mais um cachinho... Um jato de perdigotos explodiu da boca de Licabas, como a onda esbatida que o vento impele, no inverno, sobre a costa pedregosa — mas, curiosamente, nenhuma das gotas apodrecidas foi alojar-se no rosto do jovem Dioniso.
— Cadê a corda. sardinhas regurgitadas? — perguntou Licabas, que mudava de espirito como o céu muda durante o verão abrasante. Um boçal bem mandado surgiu carregando um role aspero de cordas. — Deixa ver — disse Licabas, esfregando um pedaço sobre a parte interna do brace. — Não serve; traga outra! Um role de fios de cobre espetado surgiu, nos braços do mesmo homem. Depois de testá-lo, o vil Licabas aprovou. — Amarrem-no, já! Três hornens fortes tomaram da corda e enrolaram Dioniso num abraço odio. Mas, cOisa estranha!, tÃo logo terminavam de fazer os nós, e!es se desmanchavam como por encanto, e a corda cala aos pés de todos, sem provocar o menor arranhão na vItima.
— Irnbecis! — disse Licabas. — Tratem de fazer um nó decente ou mandarei dar um nó nas tripas de cada um de vocés! Trinta nós foram feitos, e os mesmos trinta nós desfeitos, ate que o sol caisse. De repente, porém, o navio parou em meio ao rnar. Parou, simp!esrnente. Ninguém sabia explicar o motivo. — O vento cessou de todo — explicou Acetes ao capitão, temendo uma reação brutaL — Aos rernos! — ordenou Licabas, que sabia dividir o instante das punições com o instante da ação. Os rernos foram lançados com estrídulo à agua, mas na mesma hora viram se enrelados por urn emaranhado de algas. Ao mesmo tempo começou a subir pelo mastro a folhagem espessa das vinhas, que se espalhou por todo o convés. — Vejam, está chovendo! — disse um dos marinheiros, estendendo a mão.
Mas aquilo não era uma chuva normal, e sim uma chuva de vinho, que num instante cobriu todos de verrnelho. Alguns, é verdade, gostararn da peça e abriam suas bocas para receber o produto da grande nuvem vermelha parada acima do barco. Mas quando Licabas, que não era homem para graças, enterrou uma espada dentro da garganta do primeiro, a brincadeira acabou-se ali. Corno quem rege um concerto de flautas, Dioniso agitava o seu cetro, com um sorriso alegre estampado no rosto — o sorriso da embriaguez divina! o convés encheu-se, também, de animais silvicolas, enormes e assustadores. Enormes felinos espalhavam-se por todo o barco — tigres, linces e um jaguar que parecia divertir-se imensamente com aquilo tudo —, o que tornou os marinheiros de pavor. — Verdadeiramente, este rapaz é um deus! — exclamou um deles, lançando-se borda afora. Muitos outros o seguiram, mas tão logo alcancavam a água, viam seus corpos mudarern abruptamente para algo inumano.
Licabas, o último que relutava, ainda, em abandonar o barco, de repente começou a perder o equilíbrio. — Mas o que é isso? Maldição! — disse, enquanto observava seus pés unindo-se por uma estranha membrana, quase transparente. Suas pernas tambérn foram perdendo o pêlo espesso que as recobria e tomando-se lisas como a pele de um peixe. Num úitimo instante, antes de enlouquecer, o sórdido LIcabas chegou a achar graça daquela estranha metamorfose que se operava em si próprio. — Estarei enlouquecendo, então? — exclamou, dando sua úitima gargalhada. Mas não foi de sua boca que saiu, desta vez, mas de uma protuberância instalada bem no alto de sua cabeça.
Lícabas, bem como todos os seus homens — a exceçäo do bom Acetes —, haviam se transformado em golfinhos, que tubarões ferozes perseguiam em alucinante disparada. — Sou Dioniso, deis do vinho e da alegria! disse o jovern, com os olhos refulgentes, ao timoneiro. — Leve-rne de volta e instaure uM ternplo, eM Meu nome, em todas as terras por onde andar, para que se possam celebrar neles os meus sagrados ritos. Assim se fez, e desde então Dioniso obrou ainda muitos outros prodígios.




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