quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Semana Mitologica- ZEUS

Hoje, estarei postando a historia de Zeus, considerado o principal deus grego.





Pais:
Crono e Reia
Filhos:
Filhos com Metis: Atena

Filhos com Temis: Horas - Moiras

Filhos com Medusa: Crisaor - Pégaso

Filhos com Eurínome: Cárites

Filhos com Demeter: Core (a figura jovem da deusa) / Perséfone (a figura madura, rainha do hades);

Filhos com Leto: Apolo - Artemis

Filhos com Hera: Hebe, Ares, Ilítia - Hefesto

Filhos com Maia: Hermes

Filhos com Sêmele: Dioníso

Filhos com Alcmena: Heracles

Filhos com Dânae: Perseu

Filhos com Europa: Minos - Sarpédon - Radamanto

Filhos com Io: Épafo

Filhos com Leda: Helena - Castor - Polux - Clitemnestra


Antes de penetrarmos no mito de Zeus e sua conquista definitiva do Olimpo, voltemos brevemente a Crono, para que se possa colocar uma certa ordem didática no assunto. Depois que se tornou senhor do mundo, Crono converteu-se num tirano pior que seu pai Urano. Não se contentou em lançar no Tártaro a seus irmãos, os Ciclopes e os Hecatonquiros, porque os temia, mas, após a admoestação de Urano e Geia de que seria destronado por um de seus filhos, passou a engoli-los, tão logo nasciam. Escapou tão-somento o caçula, Zeus: grávida desde último, Réia refugiou-se na ilha de Creta, no monte Dicta dou Ida, segundo outros, e lá, secretamente, deu à luz o futuro pai dos deuses e dos homens, que foi, logo depois escondido por Geia nas profundezas de um antro inacessível, nos flancos dos monte Egéon. Em seguida, envolvendo em panos de linho uma pedra, ofereceu-a ao marido e este, de imediato, a engoliu. No antro do monte Egéon, Zeus foi entregue aos cuidados dos Curetes e das Ninfas. Sua ama de leite foi "a ninfa", ou, mais canonicamente, "a cabra" Amaltéia.
Quando, mais tarde, a cabra morreu, o jovem deus a colocou no número de constelações. De sua pele, que era invulnerável, Zeus fez a égide, cujos efeitos extraordinários experimentou na luta contra os Titãs.
Atingida a idade adulta, o futuro senhor do Olímpo iniciou uma longa e terrível refrega contra seu pai. Tendo-se aconselhado com Métis, a Prudência, esta lhe deu uma droga maravilhosa graças à qual Crono foi obrigado a vomitar os filhos que havia engolido. Apoiando-se nos irmãos e irmãs, devolvidos à luz pelo astudo Crono. Zeus, para se apossar do governo do mundo, iniciou um duro combate contra o pai e seus tios, os Titãs.. .
Zeus veio ao mundo na matrilinear ilha de Creta e, de imediato, foi levado por Geia para um antro profundo e inacessível. Trata-se, claro está, em primeiro lugar, de uma encenação mítico-ritual cretense, centrada no menino divino, que se torna filho e amante de uma Grande Deusa. Depois, seu esconderijo temporário numa gruta e o culto minóico de Zeús Idaios, celebrado numa caverna do monte Ida, têm características muito nítidas de uma iniciação nos Mistérios. Não é um vão, além do mais, que se localizou, mais tarde, o túmulo do pai dos deuses e dos h omens na ilha de Creta, fato que mostra a assimilação iniciática de Zeus aos deuses dos Mistérios, que morrem e ressuscitam.
Conta-se ainda que o entrechocar das armas de bronze dos Curetes abafava o choro do recém-nascido, o que traduz uma projeção mítica de grupos iniciáticos de jovens que celebravam a dança armada, uma das formas da dokimasía grega. A dança desses demônios, e Zeus é cognominado "o maior dos Curetes", é um conhecido rito da fertilidade. A maior e a mais significativa das experiências de Zeus foi ter sido amamentado pela cabra Amaltéia.
A luta de Zeus e seus irmãos contra os Titãs, comandados por Crono, durou dez anos. Por fim, venceu o futuro grande deus olímpico e os Titãs foram expulsos do Céu e lançados no Tártaro. Para obter tão retumbante vitória, Zeus, a conselho de Geia, libertou do Tártaro os Ciclopes e os Hecatonquiros, que lá haviam sido lançados por Crono. Agradecidos, os Ciclopes deram a Zeus o raio e o trovão; a Hades ofereceram um capacete mágico, que tornava invisível a quem o usasse e a Posídon presentearam-no com o tridente, capaz de abalar a terra e o mar.
Terminada a refrega, os três grandes deuses receberam por sorteio seus respectivos domínios: Zeus obteve o Céu; Posídon, o mar; Hades Plutão, o mundo subterrâneo ou Hades, ficando, porém, Zeus com a supremacia do Universo. Geia, todavia, ficou profundamente irritada contra os Olímpicos por lhe terem lançado os filhos, os Titãs, no Tártaro, e excitou contra os vencedores os terríveis Gigantes, nascidos do sangue de Urano, Vencidos os formidáveis Gigantes, Uma derradeira prova, a mais terrível de todas, aguardava a Zeus, a seus irmãos e aliados, Geia, num derradeiro esforço, uniu-se a Tártaro, e gerou o mais horrendo e terrível dos monstros, Tifão ou Tifeu.
As lutas de Zeus contra os Titãs (titanomaquia), contra os Gigantes (Gigantomaquia), episódio, aliás, desconhecido por Homero e Hesíodo, mas abonado por Píndaro, e contra o horrendo Tifão, essas lutas, contra forças primordiais desmedidas, cegas e violentas, simbolizam também uma espécie de reorganização do Universo, cabendo a Zeus o papel de um "re-criador" do mundo. E apesar de jamais ter sido um deus criador, mas sim conquistador, o grande deus olímpico torna-se, com suas vitórias, o chefe inconteste dos deuses e dos homens, e o senhor absoluto do Universo. Seus inúmeros templos e santuários atestam seu caráter pan-helênico. O deus indo-europeu da luz, vencendo o Caos, as trevas, a violência e a irracionalidade, vai além de um deus do céu imenso, convertendo-se, na feliz expressão de Homero em (patér andrônite theônte), o Pai dos deuses e dos homens. E foi com este título que o novo senhor do Universo, tendo reunido os imortais nos píncaros do Olimpo, ordenou-lhes de não participarem dos combates que se travavam em Ílion entre aqueus e troianos. O teor do discurso é forte e duro, como convém a um deus consciente de seu poder e que fala a deuses insubordinados e recalcitrantes. Após ameaçá-los de espancamento, ou pior ainda, de lençá-los no Tártaro brumoso, conclui em tom desafiante:
Suspendei até o céu uma corrente de ouro, e, em seguida, todos, deuses e deusas, pendurai-vos à outra extremidade: não podereis arrastar do céu à terra a Zeus, o senhor supremo, por mais que vos esforceis. Se eu, porém, de minha parte, desejasse puxar ao mesmo tempo a terra inteira e o mar, eu os traria, bem como a vós, para junto de mim. Depois, ataria a corrente a um pico do Olimpo, e tudo ficaria flutuando no ar. E assim sabereis até que ponto sou mais forte do que os deuses e os homens.
O religiosíssimo Ésquilo, num fragmento de uma de suas muitas tragédias perdidas, vai além de Homero na proclamação da soberania de Zeus: Zeus é o éter, Zeus é a terra, Zeus é o céu. Sim Zeus é tudo quanto está acima de tudo.
E era relamente assim que os gregos o compreendiam: um grande deus de quem dependiam o céu, a terra, a pólis, a família e até a mântica. Alguns outros de seus epítetos comprovam sua grandeza e soberania: Senhor dos fenômenos atmosféricos, dele depende a fertilidade do solo, dái seu epíteto de Khthónios; protetor do lar e símboo da abundância, ele é ktésios; defensor da pólis, da família e da lei, é invocado como polieús; deus também da purificação, denomina-se kathársios e deus ainda da mântica, em Dodona, no Epiro, onde seu oráculo funcionava à base do tartalhar dos ramos de um carvalho gigante, árvore que lhe era consagrada.
É conveniente, no entanto, deixar claro que o triunfo de Zeus, embora patenteie a vitória da ordem sobre o Caos, como pensava Hesíodo, não reundou na eliminação pura e simples das divindades primordiais. Algumas deleas, se bem que desempenhando um papel secundário, permaneceram integradas no novo governo do mundo e cada uma, a seu modo, continuou a contribuir para a economia e a ordem do Universo. Até mesmo a manutenção de Zeus no poder, el a deve, em parte, à admoestação de Geia e Urano, qu elhe predisseram o nascimento de um filho que o destronaria. Foi necessário, para tanto, que engolisse sua primeira esposa, Métis. Nix, a Noite, uma das mais primordiais das divindades, continou a ser particularmente respeitada e o próprio Zeus evitava irritá-la. A ela zeus ficou devendo seus primeiros rudimentos de cosmologia, quando perguntou à deusa das trevas como firmar seu "soberbo império sobre os imortais" e como orbanizar o Cosmo, de modo a que "se tivesse um só todo com partes distintas". As Erínias continuaram a desempenhar seu papel de vingadoras do sangue parental derramdado; Pontos, o mar infecundo, permaneceu rolando suas ondas em torno da Terra; Estige, que ajudou Zeus na luta contra os Titãs, foi transformada não apenas em rio do Hades, mas na "água sagrada" pela qual juravam os deuses; Hécate, a deusa dos sortilégios, teve seus privilégios ampliados por Zeus, e Oceano há de tornar-se uma divindade importante e um aliado incondicional de Zeus. Em síntese, o novo senhor, alijados os inimigos irrecuperáveis, ao menos temporariamente, buscou harmonizar o Cosmo, pondo um fim definitivo à violenta sucessão das dinastias divinas.
Até mesmo as divindades pré-helênicas, através de um vasto sincretismo, tiveram funções e algumas muito importantes na nova ordem do mundo. O exemplo começou pelo próprio Zeus, que, apesar de ser um deus indo-europeu, "nasceu" em Creta; lá teve seus primeiros ritos iniciáticos e lá "morreu". A marca minóica permaneceu inclusive na época clássica: a arte figurada nos mostra a estátua de um Zeus jovem e imberbe, o jovem deus dos mistérios do monte Ida, o feus da fertilidade, o Zeus ctônio. Atena, a importantíssima Atena, deusa da vegetação, transmutou-se na filha querida das meninges de Zeus. Perséfone tornou-se, além de filha da Grande Mãe Demeter, sua companheira inseparável nos Mistérios de Elêusis. Poder-se-ia ampliar a lista, mas o que se deseja ressaltar é que uma sábia política religiosa, em que certamente teve papel de relevência o dedo de Delfos com sua moderação e indiscutível patrilinhagem, fez que deusas locais pré-helências, algumas divindades primordiais e certos cultos arcaicos se integrassem no novo sistema religioso olímpico, dando à religião grega seu caráter específico e sua extensão pan-helênica sob a égide de Zeus. Tão logo o pai dos deuses e dos homens sentiu consolidados o seu poder e domínio sobre o Universo, libertou seu pai Crono da prisão subterrânea onde o trancariara e fê-lo rei da Ilha dos Bem-Aventurados, nos confins do Ocidente. Ale ele reiunou sobre muitos heróis que, mercê de Zeus, não conheceram a morte. Esse destino privilegiado é, de certa forma, uma escatologia: os heróis não morrem, mas passar a viver paradisiacamente na Ilha dos Bem-Aventurados. Trata-se de uma espécie de recuperação da Era de ouro, sob o reinado de Crono.
Os Latinos compreenderam bem o sentido dessas aetas aurea (Era de Ouro), pois fizeram-na coincidir com o reino de Saturno na Itália.
Zeus é, antes do mais, um deus da "fertilidade", é úmbrios e hyétios, é chuvoso. É deus dos fenômenos atmosféricos, por isso que dele depnde a fecundidade da terra, enquanto khthómios. É o protetor da família e da Pólis, daí seu epíteto de polieús. Essa característica primeira de Zeus explica várias de suas ligações com deusas de estrutura ctônia, com Europa, Sêmele, Deméter e outras. Trata-se de uniões que refletem claramente hierogamias de um deus, senhor dos fenômenos celestes, com divindades telúricas. De outro lado, é necessário levar em conta que a significação profunda de "tantos casamentos e aventuras amorosas" obedece antes do mais a um critério religioso (a fertilização da terra porum deus celeste), e, depois, a um sentido político; unindo-se a certas deusas locais pré-helênicas, Zeus consuma a unificação e o sincretismo que hão de fazer da religião grega um calidoscópio de crenças, cujo chefe e guardião é o próprio Zeus.
A maioria das regiões gregas se vangloriava de ter possuído um herói epônimo nascido dos amores do grende deus. O mesmo se diga das grandes famílias lendárias que sempre apontavam um seu ancestral como filho de Zeus.
Mas, que representa, afinal esse deus tão importante para os gregos, dentro de um enfoque atual? Após o governo de Urano e Crono, Zeus simboliza o reino do espírito. Embora não seja um deus criador, ele é o organizador do mundo exterior e interior. Dele depende a regularidade das leis físicas, sociais e morais. Consoante Mircea Eliade, Zeus é o arquetipo, é o pai dos deuses e dos homens. Enquanto deus do relâmpago, configura o espírito, a inteligência iluminada, a intuição outorgada pelo divino, a fonte da verdade. Como deus do raio, simbolizou a cólera celeste, a punição, o castigo, a autoridade ultrajada, a fonte de justiça. A figura de Zeus, após ultrapassar a imagem de um deus olímpico autoritário e fecundador, sempre às voltas com amantes mortais e imortais, até tornar-se um deus único e universal, percorreu um longo caminho, iluminado pela crítica filosófica e pela evolução lenta, mas constante da purificação do sentimento religioso. A concepção de Zeus como Providência única só atingiu seu ápice com os Estóicos, entre os séculos IV e III a.e.c., quando então o filho de Crono surge como símbolo de um "deus único", encarnando o Cosmo, concebido como um vasto organismo animado por uma força única. É indispensável, todavia, deixar bem patente que os Estóicos concebiam o mundo como um vasco organismo animado por uma força única e exclusiva, Deus, também denominado Fogo, Pneuma, Razão, Alma do Mundo... Mas, entre Deus e a matéria a diferença é meramente acidental, como de substância menos sutil a mais sutil. A evolução desse Teocosmo, desse deus-mundo, é necessariamente fatalista, pois que obedece a um rigoroso detrminismo. Desse modo, aos imprevistos do acaso e ao governo da Providência divina se substitui a mais absoluta fatalidade.
As teorias cosmológicas dos Estóicos estão, na realidade, fundamentadas no panteísmo, fatalismo e materialismo. O belíssimo Hino a Zeus, do filósofo estóico Cleantes (Séc. III a.e.c.), marca o ponto culminante da ascensão do deus olímpico no espírito dos gregos de sua época e estampa bem claramente o que se acabou de dizer.
Os "modernos", todavia, denunciaram em determinadas atitudes do poderoso pai dos deuses e dos homens o que se convencionou chamar de Complexo de Zeus. Trata-se de uma tendência a monopolizar a autoridade e a destruir nos outros toda a promissora que seja. Descobrem-se nesses complexos as raízes de um manifesto sentimento de inferioridade intelectual e moral, com evidente necessidade de uma compensação social, sua dignidade de autoritarismo. o temo de que sua autocracia, sua dignidade e seus direitos não fossem devidamente acatados e respeitados tornaram Zeus extremament sensível e sujeito a explosões coléricas, não raro calculadas.
Para Hesíodo, no entanto, Zeus simboliza o termo de um ciclo de trevas e o início de uma era de luz. Partindo do Caos, da desordem primordial, para a justiça, cifrada em Zeus, o poeta sonha com um mundo novo, onde haveriam de reinar a disciplina, a justiça e a paz.

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